Doença de Dupuytren

Imagem: Markbenecke / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Doença de Dupuytren: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A doença de Dupuytren é um processo benigno em que o tecido fibroso da palma da mão (fáscia palmar) espessa e encurta ao longo do tempo, formando nódulos e faixas que podem "tracionar" os dedos em direção à palma. A evolução costuma ser lenta — às vezes por anos —, mas quando a contratura limita a função da mão existem opções de tratamento, das injeções à cirurgia, que devolvem o movimento dos dedos.

O que é a doença de Dupuytren?

A fáscia palmar é uma camada de tecido fibroso logo abaixo da pele da palma, que ancora e estabiliza a pele sobre os tendões, nervos e ossos. Na doença de Dupuytren, essa fáscia espessa e encurta gradualmente. O quadro costuma ser detectado pela primeira vez quando surgem nódulos sob a pele da palma, que podem ser seguidos de pequenos alveolos (depressões) na superfície da pele, à medida que o tecido doente puxa a pele para baixo. Com o tempo, as faixas de fáscia evoluem para cordões densos e rígidos que prendem um ou mais dedos (e, em alguns casos, o polegar) em posição dobrada — a chamada contratura de Dupuytren. É importante saber que, apesar de os cordões parecerem tendões, os tendões não estão envolvidos na doença. A condição é benigna: não é um tumor maligno, não se espalha para outros órgãos e não ameaça a vida nem a mão. Em muitos pacientes a progressão é muito lenta, ao longo de anos, e o quadro pode permanecer leve — apenas nódulos palpáveis —, sem necessidade de tratamento. Quando a contratura limita as atividades do dia a dia, porém, o tratamento pode reduzir a deformidade e melhorar o movimento dos dedos.

Sintomas

Os sinais e sintomas característicos da doença de Dupuytren são:

  • Nódulos: um ou mais "grumos" palpáveis sob a pele da palma, que podem ser sensíveis no início, embora a sensibilidade costuma desaparecer com o tempo
  • Alveolos: pequenas depressões na pele da palma, perto dos nódulos
  • Cordões: faixas firmes e espessas sob a pele, que podem limitar a extensão (abrir) e a abdução (abrir para o lado) dos dedos
  • Contratura: os dedos são puxados em direção à palma, dificultando ou impedindo esticá-los completamente
  • Dificuldade em atividades cotidianas: segurar objetos grandes, colocar a mão no bolso, escrever ou fazer as unhas

O anelar e o dedo mínimo são os mais comumente afetados, mas qualquer dedo — ou todos, e inclusive o polegar — pode ser envolvido. Quanto à articulação, a mais afetada é a metacarpo-falângica (a "nozinho" da base do dedo, onde o dedo se une à mão); a articulação interfalângica proximal (a articulação do meio do dedo) vem a seguir e, quando contraturada, costuma responder pior ao tratamento; a articulação terminal (próxima à unha) é raramente envolvida. A doença pode ser progressiva: quanto maior a deformidade, menor a chance de correção completa. Alguns pacientes desenvolvem também tecido espessado nos pés (doença de Ledderhose) ou no pênis (doença de Peyronie) — afecções da mesma família de fibromatoses, que raramente ocorrem em outras partes do corpo.

Causas

A causa exata da doença de Dupuytren não é completamente conhecida, mas a maior parte das evidências aponta para a genética como o fator mais importante. Em 2023, estudos identificaram na doença uma componente genética com raízes nos neandertais, transmitida ao longo de milhares de anos. Relatos anedóticos sugerem que a doença pode surgir ou piorar após lesões ou feridas abertas na mão (inclusive cirurgias), mas não há evidência sólida que confirme essa relação. Da mesma forma, não há evidência convincente de que o uso excessivo da mão cause a doença — ela não é, portanto, uma "tendinite" do esforço.

Fatores de risco

Vários fatores parecem contribuir para o desenvolvimento ou a piora da doença:

  • Sexo biológico: homens desenvolvem a condição com mais frequência que mulheres
  • Origem étnica: pessoas de ascendência europeia do norte (inglesa, irlandesa, escocesa, francesa, holandesa) e nórdica (suécia, noruega, finlândia) têm maior incidência
  • Hereditariedade: a doença frequentemente se manifesta em vários membros da mesma família
  • Consumo de álcool: associação reconhecida com o desenvolvimento e a progressão
  • Doenças associadas: diabetes e epilepsia estão classicamente associadas
  • Idade: a incidência aumenta com a idade
  • Traumatismos: relatos de surgimento ou piora após trauma — inclusive cirúrgico — da mão

Diagnóstico

O diagnóstico da doença de Dupuytren é clínico. O médico conversa sobre a saúde geral, a história médica e os sintomas — e, como a condição tem forte componente familiar, costuma perguntar sobre parentes com o mesmo quadro. No exame físico, avalia-se a localização dos nódulos e dos cordões, mede-se a amplitude de movimento dos dedos e do polegar e testa-se a sensibilidade dos dedos. Em alguns casos, a aparência da mão é documentada com fotografias clínicas. As medidas da contratura e a localização dos cordões ficam registradas no prontuário e podem ser comparadas com medições futuras, ao longo do tempo, para avaliar se a doença está progredindo. Radiografias e outros exames de imagem geralmente não são necessários, a menos que haja dúvida diagnóstica com outras afecções.

Tratamento conservador

Importante estabelecer expectativas desde o início: hoje não existe cura para a doença de Dupuytren. O papel do tratamento não operado é aliviar sintomas e ajudar a retardar a progressão, quando o quadro ainda está em fase de nódulos ou contratura leve. A infiltração de corticosteroide pode ser aplicada em nódulos dolorosos para reduzir os sintomas — porém, enquanto pode aliviar, não impede que a doença progrida, e seu efeito varia de paciente para paciente. Já as talas, apesar de muito procuradas, não são conhecidas por prevenir a progressão da contratura; e o estiramento forçado do dedo contraturado não ajuda — na verdade, pode lesionar o dedo ou a mão. A tala pode, sim, ter lugar no pós-operatório, para proteger a região da cirurgia.

Injeção de colagenase

A colagenase é uma enzima que quebra colágeno — e o colágeno que forma os cordões de Dupuytren é diferente do colágeno das outras estruturas da mão (tendões, nervos, vasos e ossos). Aproveitando essa diferença, foi desenvolvido um medicamento injetável que degrada especificamente o colágeno do cordão, sem danificar os tecidos ao redor. O tratamento é em duas etapas: primeiro, o cordão é injetado com a medicação; 2 a 3 dias depois, em uma nova consulta, o dedo é manipulado de forma controlada pelo médico até que o cordão se rompa, melhorando o movimento do dedo. A colagenase não remove o cordão por completo, mas pode melhorar significativamente os sintomas. É uma boa alternativa não operatória à cirurgia, com menos dor e inchaço que um procedimento maior, e pode ser indicada para pacientes com diversas comorbidades que não são bons candidatos cirúrgicos. A recidiva, porém, é mais frequente com a colagenase do que com a cirurgia. Complicações raras incluem reação alérgica e ruptura do tendão flexor; as demais (infecção, lesão de nervo ou vaso, dor, rigidez) são as mesmas da cirurgia.

Aponeurotomia por agulha

A aponeurotomia por agulha (fasciotomia percutânea) costuma ser feita no consultório, com anestesia local. Com uma pequena agulha introduzida no cordão, o médico a move com precisão até cortá-lo por completo. O cordão não é removido — a ruptura criada por ele permite que o dedo recupere o movimento. Como na injeção de colagenase, a recidiva da doença pode ser mais provável do que após a cirurgia convencional. As complicações são raras, mas incluem infecção, lesão de nervo ou vaso, dor e rigidez. É uma opção a considerar, principalmente em pacientes que preferem evitar uma incisão cirúrgica.

Quando a cirurgia é indicada

Quando a contratura passa a interferir na função da mão — dificuldade de esticar o dedo, impossibilidade de realizar as atividades do dia a dia —, o médico pode recomendar o tratamento cirúrgico. O objetivo da cirurgia é reduzir a contratura e melhorar o movimento dos dedos afetados. Como não existe cura conhecida, a cirurgia não "resolve" a doença para sempre: ela serve para "dar um passo atrás" no relógio, reduzindo o efeito limitante dos cordões, seja rompendo seja removendo o tecido. Os tecidos cicatrizados mantêm, infelizmente, a mesma predisposição a formar novos cordões no futuro — mas os ganhos de função da mão podem ser significativos, e o quadro pode ser tratado novamente se recidivar.

Como é a cirurgia

Os procedimentos cirúrgicos mais comuns para a contratura de Dupuytren são a fasciotomia e a fasciectomia palmar parcial. Na fasciotomia, o cirurgião faz uma incisão na palma da mão e secciona os cordões espessados: o cordão não é removido, mas a divisão alivia a contratura e aumenta o movimento do dedo. O procedimento é feito com anestesia local (que dorme apenas a mão) e a ferida costuma ser deixada aberta, cicatrizando gradualmente; o paciente usa tala durante a recuperação. Como o tecido doente não é removido, a recidiva pode ser mais provável do que na fasciectomia. Na fasciectomia palmar parcial, o cirurgião remove cirurgicamente a porção da fáscia palmar que está doente (os cordões e nódulos), o que tende a oferecer um alívio mais duradouro, mas com uma recuperação um pouco mais longa e necessidade de reabilitação para recuperar o movimento. O médico discute com o paciente qual procedimento é mais adequado ao caso — a extensão da doença, os dedos afetados, as comorbidades e as expectativas influenciam a escolha.

Recuperação

O curso de recuperação varia conforme o procedimento. Após a fasciotomia ou a aponeurotomia por agulha, a recuperação costuma ser mais rápida, com uso de tala por algumas semanas e início precoce da reabilitação para recuperar o movimento. Após a fasciectomia, o período de imobilização é mais prolongado e a reabilitação dirigida — com exercícios de mobilização e, quando indicado, talas específicas — é fundamental para recuperar a amplitude e evitar rigidez. A dor é controlada com analgésicos comuns, e as atividades do dia a dia retornam gradualmente ao longo de semanas. Como a doença é crônica, o acompanhamento periódico com o cirurgião de mão faz parte do plano: a recidiva — a formação de novos cordões, no mesmo dedo ou em outro — é possível com qualquer técnica, e o tratamento pode ser repetido quando a contratura volta a limitar a função.

Quando procurar um especialista

Procure avaliação de um cirurgião de mão quando o dedo não consegue mais ser esticado completamente, quando a contratura piora ao longo de semanas ou meses, quando as atividades do dia a dia passam a ser afetadas (segurar objetos, colocar a mão no bolso, escrever, lavar as unhas) ou quando surgem nódulos novos em vários locais da palma. Quanto mais precoce o tratamento, mais simples costuma ser a correção — e, em quadros avançados, a chance de correção completa diminui. O plano é individualizado, levando em conta o dedo e a articulação afetados, a velocidade de progressão e as comorbidades do paciente.

Atendimento em Campinas

Em Campinas, o Dr. William C. Villani — cirurgião de mão e microcirurgião — avalia e trata a doença de Dupuytren em dois consultórios: Hospital e Maternidade Madre Theodora (Parque das Universidades) e Instituto Affonso Ferreira (Jardim das Paineiras). O diagnóstico é clínico, com registro fotográfico e acompanhamento da progressão; o tratamento segue o escalonamento, da observação às injeções (colagenase) e, quando a função é limitada, à cirurgia.

Veja os endereços, telefones e como agendar na página de atendimento em Campinas.

Perguntas frequentes

A doença de Dupuytren é um tumor ou câncer?

Não. É uma condição benigna, de natureza fibroproliferativa, em que o tecido da fáscia palmar espessa e encurta. Ela não é maligna, não se espalha para outros órgãos e não ameaça a vida nem a integridade da mão. Por isso, nos quadros iniciais (apenas nódulos) o acompanhamento observacional é perfeitamente adequado — o tratamento se indica quando a deformidade começa a limitar a função.

A doença vai melhorar sozinha?

Em geral, não: a tendência natural é de progressão lenta, ao longo de anos, embora em alguns pacientes o quadro fique estável em fase de nódulos por muito tempo. A boa notícia é que a evolução costuma ser gradual, dando tempo para observar, planejar e, quando necessário, tratar — com injeções, aponeurotomia por agulha ou cirurgia — sempre que a contratura começar a limitar o uso da mão.

Por que o dedo anelar costuma ser o primeiro a curvar?

Os cordões de Dupuytren surgem com mais frequência na parte ulnar (do lado do mindinho) da palma, na região da linha mediante, por isso o anelar e o dedo mínimo são os mais comumente afetados. O polegar pode ser envolvido (via cordão do polegar, mais lateral) e, em casos avançados, vários dedos ao mesmo tempo. A articulação da base do dedo (metacarpo-falângica) é a mais atingida.

A injeção de colagenase é segura?

É um procedimento minimamente invasivo, feito em duas etapas (injeção no cordão e, 2 a 3 dias depois, manipulação controlada do dedo pelo médico). É bem tolerado, com menos dor e inchaço que a cirurgia, e pode ser uma boa opção para quem não é candidato operatório. As complicações — infecção, lesão de nervo ou vaso, dor e rigidez — são as mesmas da cirurgia, e raras; entre as específicas da técnica estão reação alérgica (rara) e ruptura do tendão flexor (muito rara). A recidiva, porém, é mais frequente do que após a cirurgia.

Qual a diferença entre fasciotomia, fasciectomia e aponeurotomia?

As três técnicas quebram ou removem o cordão que puxa o dedo, mas de formas diferentes: a fasciotomia secciona o cordão por uma incisão palmar, sem removê-lo; a aponeurotomia por agulha o corta por dentro, com uma agulha, sem incisão; e a fasciectomia palmar parcial remove cirurgicamente o tecido doente. Em geral, quanto mais tecido doente é removido, mais duradouro tende a ser o resultado — mas a escolha depende do caso, e o cirurgião de mão orienta qual técnica faz mais sentido para cada paciente.

Depois do tratamento, a deformidade pode voltar?

Sim, a recidiva é possível com qualquer uma das técnicas, porque a doença é crônica e o tecido cicatrizado mantém a mesma predisposição a formar novos cordões. A recidiva é estatisticamente mais frequente com as técnicas menos invasivas (colagenase, aponeurotomia por agulha, fasciotomia) do que com a fasciectomia. Por isso o acompanhamento periódico é parte do tratamento: se a contratura recomeçar a limitar a função, novas opções de tratamento existem.

E os nódulos que aparecem na sola do pé?

A doença de Dupuytren pertence a um grupo de fibromatoses fasciais; a mesma predisposição pode manifestar-se na fáscia plantar (sola do pé), condição chamada doença de Ledderhose, e na fáscia do pênis, a doença de Peyronie. O tratamento dos nódulos plantares segue a mesma lógica (observação, e procedimentos quando limitam a função), e a presença de uma condição pode sugerir a investigação das outras.

Voltar para a lista de doençasAgende uma avaliação