Artrose do Polegar (Rizartrose)

Imagem: Jmarchn / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Rizartrose (Artrose do Polegar): Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A rizartrose é o desgaste da articulação na base do polegar — a junção entre o trapézio (o osso do carpo, do lado do polegar) e o primeiro metacarpo. É a forma de artrose mais comum da mão, e afeta, desproporcionalmente, mulheres — uma em cada quatro, após os 60 anos. A dor e a perda de força na pinça, que começam de forma discreta, evoluem e, sem tratamento, comprometem as tarefas mais simples do dia a dia.

O que é a rizartrose?

A rizartrose (do grego "rizo", raiz, e "artrose", desgaste) é a artrose — o desgaste da cartilagem e do osso — da articulação trapezio-metacárpica do polegar: a junção entre o trapézio (o pequeno osso do carpo, na base do polegar) e o primeiro metacarpo (o osso da base do polegar). É uma articulação pequena, mas sobrecarregada: ela participa de praticamente todos os gestos da mão, porque é o polo em que o polegar se opõe aos demais dedos — o gesto da pinça, que é o que diferencia a mão humana das demais, passa por ela. Quando a cartilagem que reveste as duas superfícies se desgasta, os ossos passam a se atritar diretamente, com dor, inflamação e, com o tempo, deformidade. A rizartrose é a forma de artrose mais comum da mão, e a sua incidência, notadamente, é maior em mulheres — a ponto de ser estimada em cerca de uma em cada quatro mulheres acima de 60 anos —, com uma contribuição clara dos fatores hormonais e da biomecânica repetitiva (o gesto de pinçar, de girar, de abrir, que, ao longo de décadas, desgasta a articulação). É uma condição crônica, sem cura — mas com tratamento, que vai do controle sintomático à reconstrução cirúrgica, e que, na grande maioria dos casos, devolve o conforto e a função.

Quem tem mais risco, e por que?

Além do fator sexo (a predominância em mulheres é consistente, e o pico de incidência é após os 50-60 anos), os fatores que aumentam o risco de rizartrose:

  • O uso repetitivo do polegar: profissões e atividades com pinça, rotação, aperto de ferramentas (mecânicos, costureiras, músicos, marceneiros, pessoas que levam peso com a mão)
  • Antecedente de trauma na base do polegar: fraturas, entorses, lesões ligamentares — a articulação que já foi lesionada tem mais chance de se desgastar
  • Fatores genéticos: a predisposição familiar à artrose, em geral, e à rizartrose, em particular
  • Alterações ligamentares: a instabilidade ligamentar da base do polegar (a "instabilidade do polegar"), que pode ser congênita ou adquirida, aumenta o desgaste articular

A combinação, na prática, é frequente: a mulher, na casa dos 50-60 anos, com anos de uso intenso do polegar, e com predisposição genética, instala a rizartrose — e, na grande maioria das vezes, o processo é bilateral (as duas mãos), embora uma costuma doer antes da outra. O reconhecimento precoce, com o tratamento conservador, é o que define, em grande parte, o tempo até a necessidade de cirurgia — e, quando ela é indicada, a sua qualidade.

Sintomas

O quadro da rizartrose instala-se aos poucos, e os sinais clássicos:

  • Dor na base do polegar, na "raiz" do dedo, que piora com o uso (pinça, rotação, aperto) e melhora com o repouso
  • Perda de força: a pinça enfraquece, e tarefas que antes eram simples (abrir um pote, girar uma chave, torcer um pano, segurar um copo) passam a ser difíceis ou dolorosas
  • Inchaço e dor à palpação na base do polegar, no "valinho" entre o polegar e o indicador
  • Rigidez matinal, que cede com o uso, mas que, com o tempo, se instala
  • Com a progressão, uma deformidade: a base do polegar projeta-se (fica mais "quadrada", mais larga), e, nos casos avançados, o polegar tende a se desviar, com perda da oposição
  • A dor, nos estágios avançados, passa a ser também em repouso, e pode acordar o paciente à noite

Um detalhe diagnóstico importante: a dor da rizartrose é, tipicamente, ativada pelo gesto de pinçar e por rotação do polegar (o "girar a chave", o "abrir o pote com a outra mão") — e, no exame, o teste de compressão do metacarpo (o médico empurra o polegar, ao longo do eixo, contra o trapézio) reproduz a dor de forma característica. A distinção, no início, com a artrite reumatoide (que atinge a mesma região, mas com um mecanismo inflamatório diferente, e com tratamento completamente diferente) é feita com o exame clínico e, quando necessário, com exames de sangue — e é uma distinção que o reumatologista e o ortopedista fazem em conjunto.

Diagnóstico

O diagnóstico combina o exame clínico e a radiografia. No exame, o médico procura: a dor à palpação na base do polegar (na "raiz", sobre o trapézio e a base do primeiro metacarpo); a dor com o teste de compressão axial (o polegar, empurrado ao longo do eixo); a dor com rotação do polegar (o "girar a chave"); o inchaço local; e a deformidade, nos casos avançados (a projeção da base, o desvio). A radiografia mostra o desgaste: o estreitamento do espaço articular (a cartilagem que sumiu), as bicos de osso (osteofitos, as "bicos" que o osso forma na borda da articulação), o enfraquecimento do osso (esclerose, e, nos casos avançados, cistos) e, nos casos com instabilidade, a subluxação (o polegar, que já não se encaixa bem no trapézio). A radiografia também permite classificar o estágio da condição (a classificação de Eaton, em quatro estágios, que vai do desgaste leve, só com estreitamento, ao desgaste extenso, com colapso da articulação e subluxação — a classificação é um guia para o plano de tratamento, e não uma sentença: pacientes no mesmo estágio podem responder de forma diferente). Em casos selecionados, a ultrassonografia ou a ressonância acrescentam informação sobre os ligamentos e a inflamação, e ajudam a distinguir a rizartrose de outras condições (a artrite reumatoide, em particular).

Tratamento conservador

A primeira linha do tratamento da rizartrose é conservadora, e, nos estágios iniciais e moderados, costuma ser suficiente por anos. O programa combina: a adaptação das atividades — reduzir os gestos que mais sobrecarregam a articulação (apertar com força, girar com torque, segurar peso com o polegar), e, quando possível, distribuir o trabalho entre as duas mãos; a atela (a órtese) — uma tala específica para a base do polegar, que imobiliza a articulação trapezio-metacárpica, tirando a tensão da articulação desgastada, e que, usada no período de crise, alivia a dor e permite o uso da mão; os analgésicos e anti-inflamatórios, por via oral, para o controle da dor e da inflamação; e a infiltração — a aplicação de corticoide (o anti-inflamatório) diretamente na articulação, que, em geral, alivia por meses, e que, nos estágios iniciais, pode ser repetida, com intervalos, quando a dor volta. A fisioterapia, com fortalecimento dos músculos da mão (os que sustentam o polegar) e com treinamento dos gestos, completa o programa. A combinação, na prática, é o que define o tempo até a necessidade de cirurgia — e, nos estágios iniciais, muitos pacientes convivem com a rizartrose, por anos, com o programa conservador, sem nunca chegar à operação.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia entra quando a dor e a perda de força, apesar do tratamento conservador (medicação, atela, infiltração, adaptação de atividades), passam a comprometer as atividades do dia a dia — e, nos estágios mais avançados, quando a deformidade e a instabilidade da articulação tornam o quadro irreversível por outras vias. O procedimento mais estudado e mais realizado é a trapezecomia: a remoção do trapézio, o pequeno osso do carpo, que, sem a articulação desgastada, deixa a base do polegar livre, com um espaço preenchido por um enxerto (tipicamente, do próprio tendão do polegar, que é "enrolado" e interposto no espaço — a interposição tendínea) e, quando indicado, com a reconstrução dos ligamentos (a ligamentoplastia), que devolvem a estabilidade que a articulação perdeu. Alternativas, em casos selecionados, incluem a osteotomia (o reposicionamento do primeiro metacarpo, nos casos com deformidade, sem desgaste articular importante), a artrodese (a fusão da articulação, que sacrifica o movimento em troca da eliminação da dor) e, mais raramente, a prótese (a substituição articular). A escolha do procedimento depende do estágio, da qualidade dos tecidos, da expectativa do paciente quanto ao movimento e à força, e da experiência do cirurgião — e é uma decisão tomada em conjunto, com o paciente, antes da cirurgia.

Como é a cirurgia (trapezecomia)

A trapezecomia é um procedimento bem estabelecido, de duração curta. Através de uma incisão pequena, na base do polegar, o cirurgião remove o trapézio (o osso pequeno, desgastado), e, no espaço que fica, interpe um enxerto — tipicamente, um pedaço do próprio tendão do flexor do polegar (o flexor pollicis longus), que é "enrolado" e encaixado, funcionando como uma nova "cartilagem" entre os ossos, e que, com o tempo, vira um tecido fibroso que permite o movimento, sem o atrito. Nos casos com instabilidade ligamentar (a articulação que, além de desgastada, é frouxa), o procedimento combina, ainda, a reconstrução dos ligamentos (a ligamentoplastia), com pontos, que devolvem a estabilidade à base do polegar. A anestesia pode ser geral, regional (o braço, "dormindo") ou local com sedação; a alta costuma ser no mesmo dia, com tala aplicada; e o pós-operatório combina a tala por 3 a 4 semanas, seguida de reabilitação dirigida, com exercícios de mobilidade e, em seguida, de força. A recuperação, na grande maioria dos casos, leva a função de volta, com a dor controlada, e o retorno às atividades do dia a dia se dá nas primeiras semanas, com a progressão, conforme a força e a amplitude retornam.

Recuperação e o que esperar

A recuperação da rizartrose tratada cirurgicamente é, em geral, boa: a dor, o principal motivo da consulta, costuma ser controlada, e a função — a pinça, a rotação, o aperto — retorna, na grande maioria dos casos, de forma a permitir as atividades do dia a dia, sem limitação importante. A reabilitação, com o terapeuta da mão, é a fase em que a amplitude e a força voltam, e o retorno ao trabalho (conforme a natureza da tarefa) e às atividades (incluindo o esporte e os hobbies) é gradual, com a liberação do médico. É importante ter expectativas realistas: a rizartrose é uma condição crônica, e o tratamento — conservador ou cirúrgico — controla os sintomas e devolve a função, mas não "cura" o desgaste; a articulação, tratada, funciona, mas não é a articulação de antes, e o uso intenso, com o tempo, pode trazer algum desconforto. A decisão do caminho (conservador ou cirúrgico), e, dentro da cirurgia, do procedimento (trapezecomia, osteotomia, artrodese, prótese), é individual, e a qualidade da decisão — com o paciente, com o cirurgião, com o exame de imagem em mãos — é o que mais influencia o resultado.

Possíveis complicações

As complicações possíveis da rizartrose tratada cirurgicamente incluem: dor residual, com o uso intenso (mais comum, e, na grande maioria dos casos, leve e tolerável); rigidez do polegar, quando a reabilitação é insuficiente; irritação ou lesão do nervo superficial do polegar (o nervo que passa próximo ao sítio da cirurgia); e, nos casos com interposição tendínea, problemas do enxerto (que, na grande maioria dos casos, consolida por conta própria, e que, quando não, tem tratamento). No tratamento conservador, as "complicações" são, na verdade, a própria progressão da condição: a dor que volta, a perda de força que se instala, e a deformidade que, nos casos avançados, limita as opções cirúrgicas (a artrodese, por exemplo, fica mais atraente quando a deformidade é grande). Por isso, o acompanhamento com o cirurgião, com o exame clínico e, quando indicado, a reavaliação por imagem, faz parte do plano — e é o que permite, quando o quadro muda, ajustar o tratamento, no tempo certo.

Quando procurar um especialista

Procure avaliação de um cirurgião de mão quando a dor na base do polegar, com perda de força na pinça, persistir por mais de algumas semanas, especialmente se houver inchaço, dor ao girar o polegar ("abrir o pote", "girar a chave"), ou deformidade (a base do polegar, projetada). O diagnóstico com exame de imagem, e a classificação do estágio, definem o plano — e, nos casos em que a cirurgia é indicada, o tempo certo (antes da deformidade se instalar) é o que mais influencia o resultado. A distinção com a artrite reumatoide, no início, é feita com o exame clínico e, quando necessário, com exames de sangue — e, se houver suspeita, a avaliação conjunta com o reumatologista faz parte do plano.

Atendimento em Campinas

Em Campinas, o Dr. William C. Villani — cirurgião de mão e microcirurgião — avalia e trata rizartrose em dois consultórios: Hospital e Maternidade Madre Theodora (Parque das Universidades) e Instituto Affonso Ferreira (Jardim das Paineiras), com o programa completo: diagnóstico por imagem, atela, medicação, infiltração dirigida e, quando indicado, a trapezecomia com interposição tendínea e ligamentoplastia, com reabilitação dirigida.

Veja os endereços, telefones e como agendar na página de atendimento em Campinas.

Perguntas frequentes

A rizartrose é perigosa? Ela "come o osso"?

Não é perigosa no sentido de ameaçar a saúde geral — mas é uma condição que progride, e que, sem tratamento, vai piorando: a dor, a perda de força e a deformidade se instalam, e as tarefas do dia a dia (abrir potes, girar chaves, segurar objetos) vão ficando difíceis. A boa notícia é que o tratamento, feito no tempo certo, controla a dor e devolve a função, e a condição, tratada, não "destrói" a mão — ela desgasta, sim, a articulação, mas a função, na grande maioria dos casos, se mantém. O que a rizartrose não faz é "sumir": é crônica, e o tratamento, conservador ou cirúrgico, é o que a controla.

Posso conviver com a rizartrose, sem operar?

Sim — e, nos estágios iniciais e moderados, é o caminho na grande maioria dos casos. O programa conservador (adaptação de atividades, atela, medicação, infiltração, fisioterapia) controla a dor e a função, por anos, e muitos pacientes nunca chegam à cirurgia. A cirurgia entra quando a dor e a perda de força, apesar do programa, passam a comprometer as atividades do dia a dia, ou quando a deformidade e a instabilidade tornam o quadro irreversível por outras vias. A decisão, em qualquer dos casos, é individual, e o acompanhamento com o cirurgião, com o exame de imagem, é o que define o momento — e, dentro do momento, o procedimento.

O que é a trapezecomia, e vou "perder" o polegar?

Não. A trapezecomia remove o trapézio, o pequeno osso do carpo (não o polegar), e, no espaço que fica, interpe um enxerto (tipicamente, do próprio tendão do polegar), que vira uma nova "cartilagem" entre os ossos, e que, com o tempo, consolida por conta própria, permitindo o movimento, sem o atrito. O polegar, após a operação, funciona — a pinça, a rotação, o aperto voltam, na grande maioria dos casos, com a dor controlada. O que muda, em relação à articulação de antes, é a biomecânica: a articulação, agora, é uma "neoartrodese" (um novo encaixe, fibroso), e, por isso, a função, no uso intenso, pode ser um pouco diferente — mas, para a vida do dia a dia, na grande maioria dos casos, é suficiente, e a dor, que é o motivo da consulta, é o que se resolve.

A infiltração resolve, ou é só "anestesia"?

A infiltração de corticoide, na rizartrose, não é "anestesia" — é um anti-inflamatório, aplicado diretamente na articulação desgastada, que, na grande maioria dos casos, alivia a dor por meses (em geral, de 3 a 6, variando de pessoa para pessoa). Ela é parte do programa conservador, e, nos estágios iniais, pode ser repetida, com intervalos, quando a dor volta. O que a infiltração não faz é "curar" o desgaste — ela controla a inflamação, o que, por sua vez, controla a dor, e dá tempo para o programa conservador (atela, fisioterapia, adaptação) fazer o seu papel. Se, apesar da infiltração, a dor volta com frequência, ou se a função continua piorando, é o momento de reavaliar o plano, com o cirurgião.

Por que a rizartrose atinge mais as mulheres?

A predominância em mulheres (cerca de uma em cada quatro, após os 60 anos) é consistente, e tem duas explicações principais: a biomecânica (o gesto de pinçar, de girar, de abrir, que, ao longo de décadas, desgasta a articulação, e que, na grande maioria das mulheres, é mais intenso, pelas tarefas domésticas, pelo trabalho, pela criação dos filhos) e os fatores hormonais (a queda de estrogênio, na menopausa, que, na literatura, está associada ao aumento do risco de artrose, em geral, e à rizartrose, em particular). A combinação, na prática, é a que explica o pico de incidência, na casa dos 50-60 anos. Os homens também têm rizartrose — com menos frequência, e, tipicamente, com um perfil de uso (o trabalho manual, o esporte) que, em parte, explica a diferença.

Vou poder continuar com meu trabalho (manual, de ofício)?

Na grande maioria dos casos, sim — com a adaptação, e, quando indicado, com a cirurgia. O programa conservador (atela, medicação, infiltração, adaptação dos gestos) permite, na grande maioria dos casos, o retorno ao trabalho, com a dor controlada; e, nos casos em que a cirurgia é indicada, a recuperação, na grande maioria dos casos, devolve a função, com o retorno gradual, conforme a fase. A ressalva honesta: a rizartrose é crônica, e o uso intenso, com o tempo, pode trazer algum desconforto — mas, na grande maioria dos casos, a função, tratada, se mantém, e o trabalho, com as adaptações, continua. A decisão, em qualquer dos casos, é individual, e o acompanhamento com o cirurgião, com o exame de imagem, é o que define o momento, e, dentro do momento, o procedimento.

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