
Imagem: James Heilman, MD / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Tenossinovite de De Quervain: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A tenossinovite de De Quervain — a "torcedura da lavandeira" — é uma inflamação dolorosa dos tendões que controlam o polegar, no túnel por onde eles passam do punho para o polegar. Causa dor e sensibilidade no lado de fora (radial) do punho, piorando com a pinça, a força e a rotação. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador, e a cirurgia — quando necessária — é um procedimento pequeno, com proteção cuidadosa dos nervos da região.
O que é a tenossinovite de De Quervain?
Do lado do polegar do punho, os tendões de dois músculos passam juntos por um túnel estreito (o primeiro compartimento extensor): o abdutor longo do polegar, que afasta o polegar da mão, e o extensor curto do polegar, que o estica. Esses tendões vêm dos músculos do antebraço, são revestidos por uma bainha (sinóvio) que lubrifica o deslizamento e ficam contidos pelo túnel que os mantém próximos ao osso. Na tenossinovite de De Quervain, esses tendões ficam irritados e a bainha espessa. Ajustados com menos folga dentro do túnel, eles deixam de deslizar com facilidade — e o atrito que resulta produz dor com os movimentos de polegar e punho. Descrita por Fritz De Quervain no final do século XIX, a condição é também conhecida por torcedura da lavandeira, tenosinovite estenosante de De Quervain e, em inglês, De Quervain's tenosynovitis.
Sintomas
O principal sinal é a dor no lado do polegar do punho, que pode surgir de forma gradual ou súbita. Ela costuma ser pior quando a mão e o polegar estão em uso, especialmente:
- Ao mover o polegar
- Ao fechar a mão em punho
- Ao agarrar ou segurar objetos, principalmente com força
- Ao girar o punho
- Ao levantar objetos com os braços à frente, como carregar uma criança
A dor começa no punho e pode irradiar em direção ao antebraço. É possível notar inchaço sobre a região do lado do polegar e, em alguns casos, um pequeno cisto com líquido na mesma área. Ao mover o polegar, alguns pacientes sentem uma sensação de encaixe ou estalo. Com a dor e o inchaço, o movimento do polegar e do punho passa a ficar limitado, e tarefas do dia a dia — segurar uma xícara, abrir um pote, carregar o bebê, digitar — tornam-se incômodas ou até dolorosas.
Causas
A causa exata da tenossinovite de De Quervain não é totalmente compreendida, mas o quadro é agravado por movimentos repetidos de punho e polegar — digitação, uso do celular, levantar pesos, torcer panos. A repetição mantém os tendões e a bainha em atrito constante dentro do túnel estreito, e o processo inflamatório resultante espessa a bainha, formando um ciclo de irritação e dor. Entre os fatores de risco reconhecidos estão: a gestação e o pós-parto (pessoas que desenvolvem sintomas depois de ter um bebê costumam percebê-los nas 4 a 6 primeiras semanas); a artrite reumatoide, que torna os pacientes mais suscetíveis; e o perfil demográfico clássico, com maior frequência em pessoas na casa dos 40 e 50 anos e maior incidência em mulheres do que em homens.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela combinação da história clínica e do exame físico. O médico pergunta sobre os sintomas, as atividades do dia a dia e eventuais traumas prévios, e depois palpa o lado do polegar do punho, procurando dor e inchaço. O teste clássico é o teste de Finkelstein (ou de Finkelstein-Eichhoff): com o polegar dobrado para dentro da palma, envolto pelos demais dedos, o paciente desvia o punho na direção do dedo mínimo — se a manobra reproduz dor no lado do polegar, o teste é considerado positivo. Radiografia e ultrassom geralmente não são necessários; o médico pode solicitá-los quando o diagnóstico não é claro, para excluir outras condições que causam dor no punho (artrose, fratura, tendinopatias vizinhas).
Tratamento conservador
O tratamento parte da redução do inchaço e da irritação dos tendões e da bainha. As medidas de primeira linha incluem: modificação das atividades — evitar os movimentos que provocam dor e inchaço, o que em alguns casos permite que os sintomas desapareçam por conta própria; tala removível, que mantém o punho esticado e o polegar em posição neutra, com benefício ainda maior quando usada à noite; gelo, aplicado sobre a região dolorosa por cerca de 15 minutos a cada 4 a 6 horas (nunca diretamente sobre a pele); e anti-inflamatórios (AINEs), como ibuprofeno e naproxeno, em comprimido ou em creme/gel tópico. A combinação dessas medidas resolve ou controla a grande maioria dos quadros, e o retorno ao uso normal da mão acontece conforme o conforto e a força voltam.
Infiltração
A infiltração de corticosteroide na região dolorosa é uma opção eficaz para reduzir o inchaço e aliviar a dor em quadros que não respondem apenas à tala e aos anti-inflamatórios. Muitos pacientes experimentam alívio significativo após a aplicação, que pode ser repetida se os sintomas voltarem. Uma ressalva importante: pessoas com diabetes respondem menos bem às infiltrações e apresentam maior risco de complicações cirúrgicas (infecção, problemas de cicatrização) se a via operada for necessária — por isso a condição deve ser sempre informada e controlada antes do procedimento.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia costuma ser recomendada quando os sintomas são importantes ou quando não melhoram após cerca de 6 semanas de tratamento não operado. O objetivo do procedimento é liberar a bainha do tendão, ampliando o espaço disponível para os tendões irritados. Quando realizada corretamente, a liberação alivia os sintomas sem comprometer a função da mão ou do punho.
Como é a cirurgia
A liberação do primeiro compartimento extensor é um procedimento de pequeno porte, feito com anestesia local (o paciente pode ficar acordado ou receber sedação leve) e em regime ambulatorial. O cirurgião primeiro identifica e protege os nervos que passam próximos à bainha — em especial o ramo superficial do nervo radial, responsável pela sensibilidade do dorso da mão — e depois abre a bainha de modo a evitar instabilidade dos tendões. Se houver tecido em excesso (tenossinovite espessada) ao redor dos tendões, ele é removido. A incisão é fechada e aplica-se um curativo, muitas vezes associado a uma tala por alguns dias. A recuperação é, em geral, rápida: o paciente volta ao uso normal da mão à medida que o conforto e a força retornam, e a melhora dos sintomas é percebida pela maioria dos pacientes após o procedimento.
Recuperação
Após a cirurgia, a região é mantida protegida com curativo e, quando indicado, tala, por cerca de uma a duas semanas. A dor é controlada com analgésicos comuns, e a movimentação dos dedos é liberada cedo; o uso normal do polegar e do punho volta gradualmente, conforme o conforto e a força retornam. Atividades que exigem força com o polegar (torcer, agarrar com peso) devem ser evitadas nas primeiras semanas, até a cicatrização completa da bainha. As complicações cirúrgicas são raras, mas incluem dor ou formigamento residual no dorso da mão (quando o ramo sensitivo do nervo radial é irritado) e, nos pacientes diabéticos, maior risco de infecção e problemas de cicatrização. A grande maioria dos pacientes com De Quervain se recupera bem, independentemente do caminho terapêutico escolhido.
Quando procurar um especialista
Procure avaliação de um cirurgião de mão quando a dor no lado do polegar do punho persiste por semanas apesar de tala, gelo e anti-inflamatórios, quando a dor impede tarefas do dia a dia (segurar, torcer, carregar), quando há inchaço ou cisto visível na região, ou quando os sintomas surgiram no pós-parto e não melhoram. O diagnóstico é clínico e o plano de tratamento — da tala à infiltração e, quando indicado, à liberação cirúrgica — deve ser individualizado, levando em conta doenças associadas como diabetes e artrite reumatoide.
Atendimento em Campinas
Em Campinas, o Dr. William C. Villani — cirurgião de mão e microcirurgião — avalia e trata a tenossinovite de De Quervain em dois consultórios: Hospital e Maternidade Madre Theodora (Parque das Universidades) e Instituto Affonso Ferreira (Jardim das Paineiras). O diagnóstico é clínico (exame físico + teste de Finkelstein); o tratamento segue o escalonamento, da tala à infiltração e, quando indicado, à liberação cirúrgica ambulatorial.
Veja os endereços, telefones e como agendar na página de atendimento em Campinas.
Perguntas frequentes
O que é o teste de Finkelstein?
É a manobra clássica para avaliar a tenossinovite de De Quervain. Com o polegar dobrado para dentro da palma e envolto pelos outros dedos, o examinador (ou o próprio paciente, com a outra mão) desvia o punho na direção do dedo mínimo. Se a manobra provoca dor no lado do polegar do punho, o teste é positivo e sugere a condição — o diagnóstico final, porém, sempre combina história e exame físico completo.
Por que aparece depois do nascimento de um bebê?
O período gestacional e, principalmente, as semanas após o parto, são um gatilho clássico: as alterações hormonais, o inchaço geral e, sobretudo, a repetição de movimentos de levantar e segurar o bebê mantêm os tendões do polegar em atrito constante. Os sintomas costumam surgir nas 4 a 6 semanas após o parto e, na grande maioria dos casos, melhoram com tala e medidas conservadoras à medida que a rotina se organiza.
A tala resolve o problema?
Muitos casos se resolvem com a tala associada a repouso relativo, gelo e anti-inflamatórios. A tala mantém o polegar e o punho em posição neutra, reduzindo o atrito dos tendões dentro da bainha, e o uso à noite é o mais comum. Quando os sintomas persistem após semanas de uso adequado, o plano é escalonado — com infiltração de corticosteroide ou, como última linha, a liberação cirúrgica da bainha.
A infiltração dói e é perigosa?
A aplicação é feita com agulha fina, geralmente após anestesia local, e dura segundos; o desconforto depois é leve e temporário. É um procedimento comum e seguro, com baixo risco de complicações — a principal ressalva é em pacientes diabéticos, que respondem menos bem ao corticoide e precisam ter a glicemia bem controlada. A dose e o número de aplicações são definidos pelo médico.
A cirurgia deixa a mão sem sensibilidade?
Não. A cirurgia é feita com a identificação e a proteção prévias dos nervos da região, em especial do ramo superficial do nervo radial, que dá sensibilidade ao dorso da mão. Quando o procedimento é realizado corretamente, a função sensitiva e motora são preservadas; a queixa mais relatada pós-operatória é a sensibilidade alterada na cicatriz, que tende a melhorar com o tempo.
Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia?
A recuperação é, em geral, rápida: o curativo (e, quando indicado, a tala) permanece por cerca de uma a duas semanas, as atividades leves do dia a dia voltam logo e o uso completo do polegar — com força — costuma ser liberado nas primeiras semanas, à medida que o conforto e a força retornam. Atividades de peso e impacto devem ser evitadas até a consolidação completa da região.
De Quervain pode voltar?
A recidiva após o tratamento definitivo (infiltração bem-sucedida ou cirurgia) é incomum, mas pode acontecer — principalmente quando os movimentos que originaram o quadro continuam sem adaptação, ou em pacientes com condições inflamatórias associadas, como artrite reumatoide. Se a dor no lado do polegar volta, o ideal é procurar o cirurgião de mão para reavaliação, com exame físico e, se necessário, novo plano de tratamento.